Se
você me pedir para falar um pouco sobre como sou e o que faço,
provavelmente não será interessante. Esse site é
99% fictício, e o 1% restante pode ou não ser verdade.
30 canções tristes ou bonitas que merecem ser mencionadas
Notem que há outras que acabaram não entrando. Estas são as que consegui apurar investigando superficialmente as minhas mp3. As primeiras, certamente, já quase chorei cantando.
1 - Sublime – Pool shark
2 - The Beach Boys – God only knows
3 - The Beatles – The fool on the hill
4 - Radiohead – Exit music (for a film)
5 - Soul Asylum – Runaway Train
6 - Nada Surf – No quick fix
7 - Nirvana – Something in the way
8 - New Order – Regret
9 - Guided by Voices – Twilight campfighter
10 - Ten Foot Pole – Excuses
11 - Oasis – Don’t go away
12 - Keane – Badshaped
13 - Maritime – Tearin’ up the oxygen
14 - Radiohead – Karma Police
15 - Nada Surf – Your legs grow
16 - The Beatles – She’s leaving home
17 - Guided by Voices – Things i will keep
18 - The Shins – Split Needles
19 - REM – Losing my religion
20 - Silverchair – Cemetery
21 - Duran Duran – Ordinary world
22 - Wilco – Ashes of american flags
23 - Silverchair – Miss you love
24 - Sunny Day Real Estate – The rising tide
25 - Super Furry Animals – Run-away
26 - Descendents – One more day
27 - Incubus – Mexico
28 - The Killers – Mr. Brightside
29 - Face to Face – Blind
30 - Goo Goo Dolls – All eyes on me
Obs: sei que depois desse post a minha reputação foi severamente prejudicada.
dito por: Gustavo 2:15 AM
Diga-me.
Terça-feira, Dezembro 18, 2007
Eu não sei por que os sábados me aborreciam tanto. Só sei que esse era um dos piores. Eu estava sozinho. Todos haviam viajado. Sentado em frente ao computador, coloquei uma seleção das músicas que mais gostava naquele momento para tocar. Na televisão, um filme sobre uma mulher e suas desventuras com caras. Ela chegava a uma teoria maluca que comparava mulheres a vacas velhas. A idéia era basicamente a de que os homens querem apenas vacas novas, pois as velhas enjoam. Voltando às músicas, eu notava que havia uma tendência a sons calculadamente melancólicos. E retomando o filme, eu sou um homem assistindo a algo que traça uma teoria pós-feminista que, embora plausível, deveria me fazer rir, e não refletir.
Até que ponto estava certo pensar que nós somos touros tarados? O grande problema, no meu caso, era perceber que eu não cabia na descrição. Acho que me identifiquei mais com a mulher do que com a imagem masculina que ela construiu, e isso é grave. Espera-se que um cara domine e saiba a hora de seguir em frente, mas eu nunca tive essa capacidade. A partir do momento em que comecei a me interessar por mulheres, sempre estive na condição que teoricamente seria ocupada pelas garotas. Nunca fui eu quem recebi a declaração ou ouvi o significado que tenho para elas. Eu tive que dizer, repleto de receios. Contraditório. Você é homem, mas pensa como uma mulher. Sofre por elas, se deprime e passa o sábado exposto a canções que reafirmam a sua melancolia.
Eu não quero analisar profundamente esse meu sábado, mas ele é tão marcante. Não chove, pelo menos. Mas as nuvens cobrem a luz tímida do sol e naturalmente irá chover à noite. Eu lembro de um livro do Auster, a “Trilogia de Nova York”. São três narrativas. Uma delas chama-se “Cidade de Vidro”. No momento em que o protagonista – um escritor que se passa por detetive – conhece a mulher do cara que o contratou para o trabalho, ele sente-se irremediavelmente atraído por ela. Quando prepara-se para ir embora do apartamento, ela lhe dá um beijo molhado nos lábios. Até que ponto isso aconteceria na vida real, me pergunto. O simples fato de eu estar propondo esse tipo de raciocínio mostra o motivo de eu estar escrevendo a respeito. É uma desconfiança em relação à masculinidade. O poder do homem, pelo menos o que enxergo, me faz pensar que é indispensável um bom papo e outra série de circunstâncias para que se consiga algo com uma mulher. Um ato por impulso só é plausível em pornografia.
Ontem, fui a uma festa que havia pouquíssimas mulheres, e muitas eram lésbicas. Eu prestava atenção em todas, porque tenho essa obsessão por elas. Mas não é aquela coisa punheteira que a maioria dos caras sente. Eu sinto uma atração genuína, algo que ultrapassa o estímulo sexual. È lindo. Nada consegue superar a sensação de duas garotas se beijando; nem mesmo uma cena de penetração heterossexual – que teoricamente é o auge para qualquer homem. Então eu preferi apenas observá-las doentiamente a festa toda. Há algum tipo de desequilíbrio nisso, não? Aliás, as coisas que eu penso estão destituídas de sentido ou razão. É tudo às avessas ou apenas efeito de um sábado fastidioso, mas é o que se avoluma na minha mente.
Pior ainda: estou postando isso com alguns meses de atraso. Será que ainda faz sentido? Azar.
dito por: Gustavo 3:18 AM
Diga-me.
Quinta-feira, Dezembro 13, 2007
Simian Mobile Disco - Hustler
Como prometido, este é um videoclipe interessante lançado recentemente. A música faz parte do último álbum do Simian Mobile Disco, banda que segue a linha de nomes como Daft Punk e Chemical Brothers, mas com uma pegada mais atual. É uma das versões de vídeo para Hustler, pois há outra: a que mostra uma rodinha pervertida de garotas (vale a pena buscar no youtube).
dito por: Gustavo 5:32 PM
Diga-me.
Terça-feira, Dezembro 11, 2007
Bosta
Esta é uma das piores coisas que eu vi na vida. O clipe e a música brigam para ver quem é pior. Uma legítima bosta. Bosta de letra, bosta de melodia, bosta de ritmo e bosta de enredo. Amanhã coloco algum clipe bacana para fazer um contraponto. Parece que o Bonde do Rolê não conta mais com a tal da Marina como vocalista. Duvido que melhore, mas piorar eu acho impossível.
dito por: Gustavo 5:23 PM
Diga-me.
Segunda-feira, Dezembro 10, 2007
Férias chegando: vou escrever até doer
Chega de preguiça e de desculpas. A partir de hoje pretendo tornar este blog uma inesgotável fonte de informações sobre música e o que mais me der na telha. Como tenho essa convivência quase diária com bandas, álbuns e shows, decidi escrever diária e principalmente sobre esses temas.
Recentemente, uma lista divulgada pela revista Blender ordenou os cem principais álbuns independentes da história da música. Figurou na primeira posição Slanted and Enchanted, do Pavement. Na NOIZE de dezembro, fizemos a lista com "10 álbuns para se ouvir na praia". Pretendo, nos próximos dias e semanas, escrever um pouco sobre os álbuns que mais me cativaram nos últimos anos, quando realmente me tornei um obstinado pelo conhecimento de música. Sem um foco temporal, vou simplesmente escrever reviews à exaustão.
dito por: Gustavo 3:42 PM
Diga-me.
Sexta-feira, Novembro 09, 2007
Back Again
Sei que estive ausente, perdido por este mundo das obrigações e das alternativas. Para começar, longe da inoperância, escrevi bastante nestes últimos meses. O trabalho de edição me obriga, ainda, a reescrever. O tema é quase sempre o mesmo: música. Eventualmente, anoto uma ou outra idéia para um texto fictício ou algum relato aleatório, mas nada que denote outro interesse jornalístico. O que serve ao momento é o desejo de retomar este blog, com textos semanais. É essa a missão que pretendo levar adiante.
Viagens no Scriptorium, de Paul Auster
Não é novidade para a maioria o meu fascínio por Paul Auster. Poucos conseguem transferir para suas narrativas a imposição do acaso como ele. A ação do improvável é tema recorrente na prosa dinâmica e imprevisível do escritor nova-iorquino.
Comprei Viagens no Scriptorium, seu mais recente livro, durante uma viagem para o Rio de Janeiro. Depois de quatro dias descansando nas belas praias cariocas, perdi algum tempo em uma livraria no aeroporto do Galeão. Vasculhando os mais recentes lançamentos, encontrei o livro envolto por uma das tradicionais capas personalizadas que a Companhia das Letras utiliza para as obras de Auster. Não havia lido nada a respeito e, analisando a espessura, percebi tratar-se de um dos mais curtos que tive a oportunidade de acessar.
Chegando a Porto Alegre, mantive o livro em segundo plano, pois estava finalizando outra leitura. Li algumas resenhas da crítica norte-americana, muitas desfavoráveis à obra e, logo que acabei o outro livro, um mês depois, abri Viagens no Scriptorium e o li inteiro em poucas horas. Isso porque, embora não esteja nem perto de obras-primas como Leviatã e Trilogia de Nova York, é um livro de fácil leitura e rápida digestão. Auster não consegue, desta vez, nos surpreender no virar de páginas, mas propõe um quebra-cabeça ao leitor.
Blank é o protagonista. Ele acorda sozinho em um quarto. Não sabe onde está, de onde veio, muito menos quem é. Inquieto com as indagações, aos poucos vai recebendo respostas, que são dadas por pessoas que entram em seu quarto. Seja Anne, a personagem que o cativa e, até mesmo, o masturba, passando pelo ex- operador Flood, que discute asperamente com o protagonista, e outros que invadem o aposento de Blank por motivos distintos. São esses os propulsores da narrativa, responsáveis pelas respostas vagas que inquietam o leitor quanto à origem e ao destino da leitura. Somados a eles, servindo para manter o mistério, estão os escritos deixados sobre uma escrivaninha no quarto, supostamente escritos pelo próprio personagem.
Em determinadas passagens, Auster entremeia na ação nomes conhecidos como Fanshawe, de Leviatã, e Ben Sachs e Quinn, de Trilogia de Nova York. Retomar personagens antigos é uma maneira de tornar a obra ainda mais intrigante. À medida que vamos percebendo e somos informados que Blank é considerado uma pessoa má e será julgado por diversos crimes, tudo perde-se no terreno das incertezas quanto ao rumo da obra. No entanto, Auster sempre guarda uma carta embaixo da manga para o final. O maior (de)mérito de Viagens no Scriptorium é o fato de ter sido criado pelo escritor para si mesmo. Isso você só constatará lendo o livro do começo ao fim.
dito por: Gustavo 12:12 PM
Diga-me.
Terça-feira, Junho 26, 2007
Pornografia
As duas loiras me olhavam com uma languidez indiscreta. Enquanto sorvia o que restava de cerveja no copo, sentia uma incontrolável vontade de perguntar o que chamava tanto a atenção daqueles pares de olhos afetados. No entanto, não conseguia movimentar meu corpo para algo mais que beber o outro copo de cerveja que me esperava. Uma delas riu e piscou o olho esquerdo, esperando que isso provocasse alguma iniciativa minha. Desviei o olhar a tempo de flagrar a outra fazendo quase a mesma coisa, mas com um sutil e insinuante movimento com a língua. Repentinamente, surgiu um negro de quase dois metros de altura e tomou conta da tela. Desliguei a televisão e pensei naquelas loiras o resto da noite.
dito por: Gustavo 4:28 PM
Diga-me.
Quarta-feira, Abril 18, 2007
Como tudo começa....
Monday, April 16th 2007 9:47AM
Shots were fired on campus in West Ambler Johnson Hall in the early morning hours. (Tiros foram disparados no campus, no salão de West Ambler Johnson, nas primeiras horas da manhã)
The Collegiate Times is currently investigating the story. More information will be posted as it is made available. (O Collegiate Times está investigando o fato. Mais informações serão postadas à medida que forem surgindo).
Monday, April 16th 2007 10:00AM
A gunman is confirmed loose on campus. (Confirmada a presence de um atirador no campus)
Monday, April 16th 2007 10:04AM
The university is encouraging everyone to stay indoors and away from windows. West Ambler Johnston and Squires are currently on confirmed lock down. (A Universidade está encorajando todos a ficarem dentro dos prédios e longe de janelas. Os prédios de West Ambler Johnston - onde residem e estudam alunos - e Squires - centro estudantil - estão trancados).
Monday, April 16th 2007 10:20AM
All classes are canceled. (Todas as aulas estão canceladas)
Monday, April 16th 2007 10:32AM
At this time, one death and one injury have been confirmed. More information will be made available as it breaks. (À essa altura, uma pessoa morta e uma ferida foram confirmadas. Mais informações serão disponibilizadas quando surgirem)
Retirei esses posts do collegiatetimes.com, site jornalístico da Universidade de Virginia Tech. Antes das 10 da manhã, os relatos eram vagos. Ainda não se tinha idéia do tamanho da tragédia que estava acontecendo. Estudantes a serviço do Collegiatetimes.com, noticiário da universidade, testemunharam desde as primeiras horas a apuração das informações. Lembro que li na Internet, acredito que no G1, um texto dando conta de que 22 pessoas estavam mortas. No blog da universidade, esse número foi apontado às 12h23min, horário local. Às 14h13min, mais de 30 estudantes haviam sido metralhados, inclusive o assassino - que se suicidou.
Registro o acontecimento lamentando a tristeza dos familiares dessas pessoas. Cabe um elogio, no entanto, ao jornal estudantil, que soube cobrir a tragédia em pé de igualdade com grandes redes jornalísticas nacionais e internacionais, embora seja conduzido por estudantes.
dito por: Gustavo 10:54 AM
Diga-me.
Sexta-feira, Abril 13, 2007
Frases
Ênio Bacci é o Bob Jefferson dos pampas.
Me jogo de uma ponte se o Internacional se classificar na Libertadores.
Tomo três doses de tequila se o Grêmio se classificar para a próxima fase.
Fazer promessas a si mesmo é ótimo, porque podemos tranquilamente não cumpri-las depois.
dito por: Gustavo 10:17 AM
Diga-me.
Terça-feira, Abril 10, 2007
Gerações Polegar, Indicador e Indicador Pujante
Li no Blue Bus, hoje, uma informação que chamou muito a minha atenção. Partiu da Débora Serra, colunista de Barcelona, e ela fala sobre a designada Geração Polegar, que se consolida com uma velocidade espantadora em países onde o telefone celular impera. De tanto enviar mensagens utilizando o dedo polegar para teclar as letras, essas crianças passaram a adotá-lo também para tarefas antes realizadas pelo indicador, como tocar a campainha, por exemplo.
Essa idiossincrasia de uma geração inteira preocupa fisioterapeutas, especialmente em países da Europa e no Japão, onde o número de celulares é superior ao de habitantes. Quanto a mim, tenho dificuldades de coordenação motora ao utilizar o teclado do computador. Praticamente não uso alguns dedos e noto que a maioria das pessoas não sofre com o mesmo problema. Em compensação, sobrecarrego outros, especialmente o indicador.
Imagino daqui a alguns anos, quando o meu indicador estiver mais musculoso que o da média, como serei capaz de tocar a campainha e coçar as costas com bem mais desenvoltura. Neste dia, todos que se referiram com sarcasmo à minha dificuldade motora irão se arrepender. Temos, então, três gerações. A Geração Indicador é a dominante e compreende o pessoal da nossa faixa etária, que não teve durante a infância acesso a telefones celulares para adquirir manias com as teclas. A Geração Polegar é constituída pelas crianças ranhentas de hoje em dia, que em vez de jogar botão e brincar de carrinho preferem enviar mensagens pelo celular usando o dedão. E, finalmente, a Geração Indicador Pujante tem como integrantes aqueles que, por alguma dificuldade motora, utilizam o indicador com mais freqüência do que o normal.
dito por: Gustavo 10:13 AM
Diga-me.
Quinta-feira, Abril 05, 2007
Lulita
Nosso presidente só pode estar de brincadeira, mesmo. Aliás, todo o seu governo parece uma grande brincadeira! Ontem, ele estava todo prosa na presença do presidente do Equador, Rafael Corrêa. Afirmando que a reforma ministerial acabou e não haverá mais troca de ministros, concluiu com bom humor: ¿se queden tranquiles¿, recorrendo famoso portunhol. Sobre a instalação da CPI do Apagão Aéreo, que provavelmente dará em nada, chutou o sabugo: ¿É preciso esperar a decisão da suprema corte brasileña¿.
Sempre soubemos da vocação para piadista do nosso principal governante, mas utilizá-la em resposta a problemas seríssimos do país é falta de respeito. Não pode existir bom humor quando se fala em atrasos de mais de 3 horas nos aeroportos do país. Duvido que os passageiros estejam recorrendo ao castelhano nessas horas em que só lhes resta a paciência. O fanfarrão ainda disse que é preciso ¿reconstruir o clima de normalidade¿. Mas como, Lula? O presidente está sugerindo que a verdade seja maquiada e todos finjam que seus vôos são pontuais? Também, com um conselheiro como ACM...
dito por: Gustavo 10:37 AM
Diga-me.
Segunda-feira, Março 26, 2007
Ih, fudeu...
Não que eu esteja à procura, mas fudeu...
PARA NÃO
FICAR SÓ
Homens que querem companhia, atenção:
Luiz Cuschnir listou, no livro A Relação Mulher & Homem (Ed.
Campus), o que as mulheres rejeitam no sexo masculino
:: Machismo, controle, autoritarismo e egoísmo (não)
:: Falta de sinceridade ou de coragem para encarar sentimentos (é, de vez em quando...)
:: Falta de cavalheirismo e de dignidade (já me disseram que não sou dos mais cavalheiros)
:: Falta de cultura e de educação (não)
:: Falta de ambição e de honestidade (ambições humildes tão valendo?)
:: Inferioridade e indecisão (é...)
:: Crítica em excesso ou prepotência (volta e meia)
Resumindo: das 7 características rejeitadas, atendi a cinco. Considerando que algumas apenas parcialmente, acerto em 3,5. Ou seja, sou 50% rejeitável.
Conclusão: não sei por que raios eu me inseri nessa pesquisa.
dito por: Gustavo 3:58 PM
Diga-me.
Ian Mackaye and The Evens
O final de semana terminou animado aqui em Porto Alegre. No domingo, tivemos a oportunidade de assistir ao show do The Evens, que conta com a presença significativa de Ian Mackaye, membro-fundador de bandas como Teen Idols, Minor Threat, Embrace e Fugazi. Faltam palavras para descrever o que foi o show. O The Evens é bem diferente das que citei acima, mas a simples liderança de Ian e suas composições tornam a música maravilhosa. Trata-se de um duo formado por ele e Amy Farina, cujo trabalho mais significativo foi realizado no The Warmers. Ian compartilha sua guitarra acústica com a bateria compassada e agressiva de Amy. Dividem os vocais com competência inegável, alternando e somando as vozes em coros singelos como pouco se ouve em bandas com dois vocalistas.
Formado em 2004, o The Evens já lançou dois cds e, antes de vir ao Brasil, onde percorrerá mais seis cidades, esteve no Chile e na Argentina. Sobre o show em particular, teve cerca de uma hora de duração e deu preferência ao mais recente cd (¿Get Evens¿, lançado em 2006 pela Dischord Records). Ian aborda em suas letras temas como o governo desastroso de George Bush, a esperança de que, assim como uma tempestade, os maus governos passem, além de abordagens variadas sobre questões sociais, culturais e emocionais. Entre as músicas, procurava conversar com a platéia, demonstrando uma ironia inteligente e instigante, além de tomar o cuidado para falar devagar, possibilitando o entendimento por parte do público.
Em algumas canções, solicitava a participação das pessoas, combinando antes de executá-las o que o público deveria fazer. O carisma incomparável de Ian aliado à timidez meiga de Amy cria um contraste encantador. Há uma sintonia muito bonita entre os dois, dando a impressão de que estão empolgados e felizes com o projeto. Em determinado momento, Ian questionou a platéia, intrigado pelo fato de muitos estarem cantando as músicas, sendo que os álbuns do ¿The Evens¿ sequer são vendidos no Brasil: ¿Have you been downloading our songs on the Internet?¿. Após a resposta assertiva, complementou: ¿That¿s great. Keep on doing it, please¿. A explicação de Ian para esse polêmico incentivo é simples. Se os álbuns não chegam até aqui e, mesmo que chegassem, seriam cobrados preços absurdos, torna-se a única forma possível desse público ter acesso à música do The Evens. Ele acredita que, acima de qualquer interesse financeiro, está a música, que é criada para ser ouvida e, caso isso não ocorra, há uma falha no ciclo. Para ele, a música é mais importante que o dinheiro.
À Imprensa, após o show, Ian respondeu uma série de perguntas. Perguntado sobre o fato de muitos não entenderem o que ele diz, mesmo que estejam cantando junto, afirmou que isso não o incomoda. Pelo contrário, é até positivo. A simples idéia de estarem foneticamente articulando as palavras e o fazerem em diversos lugares pode despertar o interesse de outras pessoas que entendem o que está sendo falado. Assim, a informação está sendo transmitida ininterruptamente. Foi uma entrevista tranqüila, com alguns momentos de estranhamento. Em um deles, perguntado sobre um curta-metragem do qual teria participado junto com Amy, ficou surpreso, e disse nem se lembrar dessa participação. Encaminhou a mesma questão a garota, que estava apenas acompanhando, distanciadamente, a entrevista. Ela respondeu que também não se recordava do filme. Respondendo a uma pergunta reincidente que o deixou um pouco irritado, Ian, mais uma vez, disse não ter nada a ver com a criação do straight edge. Afirmou que a canção clássica do Minor threat, por muitos apontada como inspiradora do modelo comportamental, foi apenas uma resposta aos que o criticavam por viver à sua maneira, independente do que pensasse. È, portanto, uma letra que incentiva as pessoas a serem elas mesmas, e não a adotarem determinado comportamento porque os outros lhe dizem que é o ideal.
Assim é Ian Mackaye, claro, objetivo e talentoso. Ao final da entrevista, agradeceu os repórteres e partiu junto com Amy em busca de algum lugar para jantar. Se algum dia retornar ao Brasil, depois de 27 anos de música e 45 de vida, Ian ainda terá muitos fãs a esperá-lo.
dito por: Gustavo 2:10 PM
Diga-me.
Sexta-feira, Março 09, 2007
A Morte Feliz, de Albert Camus
Lançado pouco tempo antes de ¿O Estrangeiro¿, são inegáveis as semelhanças entre ¿A Morte Feliz¿ e a obra antológica de Albert Camus. Alguns arriscam dizer que uma trata-se de um preâmbulo da outra. No entanto, não pode se resumir um livro com uma história tão marcante a introduzir outro. ¿A Morte Feliz¿, embora seja confuso e perca-se um pouco em seus propósitos, tem o mérito de apresentar um tipo de personagem freqüente nas obras do escritor argelino: o insensível e racional. Mersault é assim. Após matar o aleijado Zagreus e tornar-se financeiramente independente, parte em viagens pelo mundo à espera da morte feliz. Embora não apresente a densidade psicológica de ¿O Estrangeiro¿, ¿A Morte Feliz¿ traz trechos maravilhosos que funcionam perfeitamente para o entendimento do pensar de Camus.
Pg. 123 ¿ em conversa com as amigas Claire, Rose e Catherine, Mersault fala sobre felicidade: ¿As pessoas não são mais ou menos tempo felizes. São felizes ou não, só isso. E a morte não impede nada, é um acidente da felicidade, nesse caso¿.
Pg. 136 ¿ Quando moribundo, Mersault reflete: ¿Compreendia que ter medo dessa morte que encarara com o desespero de um animal significava ter medo da vida. O medo da morte justificava um apego sem limites a tudo que está vivo no homem. E todos aqueles que não tinham feito gestos decisivos para enobrecer sua vida, todos os que temiam e exaltavam a impotência, todos tinham medo da morte, devido à sanção que trazia a uma vida que não tinham se enredado. Não tinham vivido o suficiente, jamais haviam vivido. E a morte era como um gesto que privasse para sempre de água o viajante que procura em vão saciar a sede. Mas para os outros ela era o gesto fatal e terno que apaga e nega, sorrindo tanto à resignação quanto à revolta¿.
dito por: Gustavo 4:02 PM
Diga-me.
Quinta-feira, Março 08, 2007
Dia Internacional da Mulher
"Ao primeiro suspiro faz-se notar
Ostenta traços de muita delicadeza
Permite aos olhos descanso e ternura
Ao ver-te dar o primeiro de muitos passos
Sempre ativa, brinca no jardim
Suja o rosto com doce e ri
Muito, e cada vez mais alto
Até o canto desafinado faz os outros sorrir
A juventude traz mais concentração
Quase uma mulher, mas não dorme sem o ursinho
As nuances da vida te incomodam
E as incertezas do futuro te determinam
Linda e madura, leva-os ao êxtase
Conserva, no entanto, um charme pueril
Uma meiguice incompleta pela responsabilidade
Que a torna dedicada a tudo que faz
Entrega-se
É da tua natureza confiar
Mesmo que às vezes se decepcione
Dos seus desafios não foge
Tantas tarefas e responsabilidades
De ti outra nasce
Recomeça o ciclo
O que fica é a admiração por cada mulher"